Um Poema

Caminho sem pés e sem sonhos

só com a respiração e a cadência

da muda passagem dos sopros

caminho como um remo que se afunda.

 

os redemoinhos sorvem as nuvens e os peixes

para que a elevação e a profundidade se conjuguem.

avanço sem jugo e ando longe

 

de caminhar sobre as águas do céu.

 

Daniel Faria

de Explicação das Árvores e de Outros Animais (1988)