Uma Música

 

 

Miedo

Lenine e Julieta Venegas

 

Tienen miedo del amor y no saber amar / Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz

Tienen miedo de pedir y miedo de callar / Miedo que da miedo del miedo que da

 

Tienen miedo de subir y miedo de bajar / Tienen miedo de la noche y miedo del azul

Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar / Miedo que da miedo del miedo que da

 

El miedo es una sombra que el temor no esquiva / El miedo es una trampa que atrapó al amor

El miedo es la palanca que apagó la vida / El miedo es una grieta que agrandó el dolor

 

Tenho medo de gente e de solidão / Tenho medo da vida e medo de morrer

Tenho medo de ficar e medo de escapulir / Medo que dá medo do medo que dá

 

Tenho medo de acender e medo de apagar / Tenho medo de esperar e medo de partir

Tenho medo de correr e medo de cair / Medo que dá medo do medo que dá

 

O medo é uma linha que separa o mundo / O medo é uma casa aonde ninguém vai

O medo é como um laço que se aperta em nós / O medo é uma força que não me deixa andar

 

Tienen miedo de reir y miedo de llorar / Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser

Tienen miedo de decir y miedo de escuchar / Miedo que da miedo del miedo que da

 

Tenho medo de parar e medo de avançar / Tenho medo de amarrar e medo de quebrar

Tenho medo de exigir e medo de deixar / Medo que dá medo do medo que dá

 

O medo é uma sombra que o temor não desvia / O medo é uma armadilha que pegou o amor

O medo é uma chave, que apagou a vida / O medo é uma brecha que fez crescer a dor

 

El miedo es una raya que separa el mundo / El miedo es una casa donde nadie va

El miedo es como un lazo que se apierta en nudo / El miedo es una fuerza que me impide andar

 

Medo de olhar no fundo / Medo de dobrar a esquina

Medo de ficar no escuro / De passar em branco, de cruzar a linha

Medo de se achar sozinho / De perder a rédea, a pose e o prumo

Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

 

Medo estampado na cara ou escondido no porão

O medo circulando nas veias / Ou em rota de colisão

O medo é do Deus ou do demo / É ordem ou é confusão

O medo é medonho, o medo domina / O medo é a medida da indecisão

 

Medo de fechar a cara / Medo de encarar / Medo de calar a boca

Medo de escutar / Medo de passar a perna / Medo de cair

Medo de fazer de conta / Medo de dormir / Medo de se arrepender

Medo de deixar por fazer / Medo de se amargurar pelo que não se fez

Medo de perder a vez

 

Medo de fugir da raia na hora H / Medo de morrer na praia depois de beber o mar

Medo... que dá medo do medo que dá

Medo... que dá medo do medo que dá

 

 

O medo é um sentimento inerente à condição humana.  Ele nos é dado pela cultura, pelos traumas, pela religião... É sempre um desafio enfrentar e superar nossos medos. Muitas vezes um medo se transforma em outro. O processo de se libertar é longo.

 

Mente quem diz que não tem medo. Muitas vezes ele está “escondido no porão”.  Temos medo de deixá-lo sair e a cada recalque distanciamo-nos da pessoa original que deveríamos ser.

 

Esta música interessante nos diz:

“O medo é como um laço que se aperta em nós

O medo é uma força que não me deixa andar”.

 

Este é a gravidade do medo: ele pode nos paralisar.

 

Como fomos criados para a vida e para a liberdade, para peregrinar em nossa história, uma vez paralisados não podemos ir, experimentar tudo o que esta vida pode oferecer nos sentimentos, nas relações, na fé.

Jesus, muitas vezes disse: Não tenhas medo. Ele conhece nossa condição humana limitada. Mas sabe que o Pai nos criou para eternidade. Por isso, sempre nos inspira a coragem. Ele está conosco. Assim, no paradoxo de nossa humanidade, ao mesmo tempo em que estamos envoltos no medo, temos sede de coragem e cremos no amor, que é a força propulsora para seguirmos.

 

Cecília Meireles, neste poema pode completar, como que por antítese, a bela canção do Lenine:

  

Tu tens um medo:

Acabar.

Não vês que acabas todo dia.

Que morres no amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que te renovas todo dia.

No amor.

Na tristeza.

Na dúvida.

No desejo.

Que és sempre outro.

Que és sempre o mesmo.

Que morrerás por idades imensas.

Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

 

CECíLIA MEIRELES

In Cânticos, 1982

 

Carla Regina de Miranda

Equipe do site