Um Poema

 

 

Há um sentido profundo

Na superficialidade das coisas,

Uma ordem inalterável

No caos aparente dos mundos.

 

Vibra um trabalho silencioso e incessante

Dentro da imobilidade das plantas:

No crescer das raízes,

No desabrochar das flores,

No sazonar das frutas.

 

Há um aperfeiçoamento invisível

Dentro do silêncio de nosso Eu:

Nos sentimentos que florescem,

Nas ideias que voam,

Nas mágoas que sangram.

 

Uma folha morta

Não cai inutilmente.

A lágrima não rola em vão.

Uma invisível mão misericordiosa

Suaviza a queda da folha,

Enxuga o pranto da face.

 

Helena Kolody

in: Correnteza