Uma Música

 

 

Catedral
Zélia Duncan

O deserto / Que atravessei / Ninguém me viu passar / Estranha e só
Nem pude ver / Que o céu é maior / Tentei dizer / Mas vi você
Tão longe de chegar / Mais perto de algum lugar

É deserto / Onde eu te encontrei / Você me viu passar / Correndo só
Nem pude ver / Que o tempo é maior / Olhei pra mim / Me vi assim
Tão perto de chegar / Onde você não está

No silêncio uma catedral / Um templo em mim / Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir / Eu sei vai ter que existir / Vai existir nosso lugar

Solidão / Quem pode evitar? / Te encontro em fim / Meu coração
É secular / Sonha e desagua dentro de mim amanhã
Devagar / Me diz como voltar

Se eu disser / Que foi por amor / Não vou mentir pra mim
Se eu disser / -"deixa pra depois" / Não foi sempre assim
Tentei dizer / Mas vi você / Tão longe de chegar / Mais perto de algum lugar

 

"Te encontro enfim... meu coração... é secular... sonha e deságua dentro de mim amanhã...devagar..." 

 

A força que o amor tem em nós, ultrapassa o deserto de nossa alma. Um lugar em nós reconhece o sagrado, o humano... precário. É força redentora que traz sonhos e alentos à alma, é sentimento, oração, movimento, quem pode evitar?

 

 

É encontro!Chega ao mais profundo e íntimo de nós mesmo, potencializa toda a nossa inteireza pra que juntos possamos somar, crescer, partilhar!

 

Se soubéssemos todas as coisas, não demoraríamos tanto tempo longe de nós mesmos, em desertos sombrios e áridos... Buscaríamos o amor com toda a nossa alma, sentimento e coração. 

Ama... ama somente... só ama!

 

O amor no olhar de Pablo Neruda,

 

"Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono."

 

Marcelle Durães

Equipe do site

30.11.2013