Uma Exposição

De 11 de dezembro a 2 de fevereiro, a cidade de Belo Horizonte recebe a exposição Escavar o Futuro, realizada pela Fundação Clóvis Salgado, por meio da Diretoria de Programação e Gerência de Artes Visuais, com curadoria de Renata Marquez e Felipe Scovino. A iniciativa propõe uma reflexão sobre a produção artística dos anos 1960 e 70, momento histórico no qual o espaço é entendido como matéria-prima da arte. 

 

Escavar o Futuro ocupa galerias do Palácio das Artes, do Centro de Arte Contemporânea e Fotografia e espaços públicos de Belo Horizonte, e pretende investigar, em suas continuidades e rupturas, a atualização do interesse dos artistas pela produção social do espaço.

 

ESCAVAR O FUTURO 

O nome da exposição foi inspirado em uma obra do crítico Frederico Morais que contém a frase “Arqueologia do Urbano – escavar o futuro”, que integra a série “Quinze Lições sobre Arte e História da Arte – Apropriações: Homenagens e Equações”, datada de 1970, que fez parte da lendária manifestação “Do Corpo à Terra”, realizada no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. A manifestação estava integrada e foi feita simultaneamente à exposição “Objeto e Participação”, realizada para a inauguração da Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard do Palácio das Artes. A curadoria dos dois eventos foi do próprio Frederico Morais, a convite de Mari’Stella Tristão, então diretora do setor de exposições do recém-criado Palácio das Artes. O título da obra dialogou com a proposta da exposição, porque remete a escavar o passado, numa arqueologia que também quer vislumbrar o futuro.

 

Escavar o futuro propõe, então, uma atualização da investigação sobre continuidades e rupturas das relações postas entre cidade, arquitetura, arte e ocupação urbana, trazendo a reflexão sobre a produção de espaços de dissenso e de como esses territórios são pensados e ocupados social e esteticamente abarcando, inclusive, as manifestações urbanas recentes como uma das formas de apropriação do espaço público. Dentre outros aspectos interessantes, a exposição busca o encontro entre arte e arquitetura e a prática espacial que as permeia, dos campos compartilhados entre essas disciplinas.

 

Dentre as mais de 20 obras que integram a exposição, algumas são marcantes na história da arte, como a série de fotografias da década de 60 do francês Marcel Gautherot intitulada “Sacolândia”. As fotos são inspiradas nos candangos que construíam suas moradias com sacos de cimento das obras da cidade planejada, evidenciando que a Modernidade, uma construção social, já possuía em seu cerne as marcas das desigualdades territoriais e sociais. O público poderá ver, ainda, as fotografias de Wilson Baptista no momento de construção da Av. Amazonas de Belo Horizonte (Da série Abertura da Av. Amazonas, 1941); e também obras de Cláudia Andujar, uma das mais importantes fotógrafas brasileiras que inaugura uma “arqueologia das ruas” no âmbito da criação fotográfica (Série Rua Direita, 1960/70); e os famosos conjuntos de heliogravuras do argentino Leon Ferrari, que residiu no Brasil entre 1976 e 1991, (Heliografias) similares a plantas de arquitetura e que representam situações fictícias de explosão demográfica e de caos urbano.

 

A exposição contará com obras inéditas dos seguintes artistas: Sara Lambranho, ganhadora do Edital de Artes Visuais 2013, com a obra “O Peso de uma Casa”; Marco Scarassatti e Fernando Ancil com “rio”, instalação que prevê a veiculação dos sons dos rios de Belo Horizonte na Rádio-Feira da Avenida Afonso Pena; Vítor César, com “Recepção” entre as galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta; e o vídeo “CosmopistaTikmu’ um Maxakalí-Pataxó”, integrante do projeto coordenado por Rosângela de Tugny.

 

A exposição irá discutir a produção de espaços de dissenso na modernidade e terá as obras expostas no Palácio das Artes (Galerias Alberto da Veiga Guignard, Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima), no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, além de duas obras em espaços públicos da cidade (no Parque Municipal e na Av. Afonso Pena). A proposta é refletir sobre a noção de “intervenção urbana”, radicalmente tensionada pelas recentes manifestações no Brasil.

 

A curadoria ainda apresenta obras de artistas já reconhecidos pela crítica de artes visuais como Cinthia Marcele (Automóvel, 2012); Pedro Motta (Da série Fachada cega, 2003-2004); João Castilho (Erupção, 2013); AngelaDetanico e Rafael Lain, Paulo Nazareth, Carmela Gross e André Komatsu.

 

DATA:  De 11 de dezembro, Quarta a 02 de fevereiro, Domingo

 

HORÁRIODe terça à sábado, de 9h30 às 21h e, aos domingos, de 16h às 21h

 

LOCAL: Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, Galeria Arlinda Corrêa Lima, Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, Parque Municipal Américo Renne Giannetti

 

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO: (31) 3236-7400

 

 

Equipe do site

16.12.2013