Um Poema

 

Que teus olhos, Menino, ensinem largueza 
e altura aos meus olhos 

Que teus olhos curem os meus
da fadiga e dos seus filtros

Que teus olhos desimpeçam a visão 
fragmentária, parcial e indecisa 

Que teus olhos devolvam aos meus olhos 
o vento azul da viagem e a sua alegria 
Devolvam o real como anel aberto 
em vez dos círculos obsidiantes e fechados 
Devolvam o aberto como imagem 
e programa 

Que teus olhos, Menino, ensinem aos meus
o seu natal


José Tolentino Mendonça