Um Filme

 

Observações antes de assistir o filme:

- Rebecca é uma fotógrafa de guerra famosa que viaja para locais perigosos e fotografa a guerra e os dramas das populações, situações de pobreza e violência. O filme nos faz entrar em contato com o drama que essas populações vivem e que o ocidente não mostra e omite dos noticiários. Mas, também o drama da fotógrafa. Sua profissão gera um conflito familiar.

- Observar durante o filme o porque ela é fotógrafa.

- O título do filme é uma frase de Romeu e Julieta, quando Julieta encontra o Amado e ao se despedir dele diz: Mil vezes boa noite. 

Comentário sobre o filme:

- O título desse filme: a Rebecca fica tempo longe de casa e quando liga, também ao dizer boa noite não sabe se aquela será a hora derradeira. 

- O filme começa com o ritual chocante. Ela fotografa uma mulher na cova, que depois vemos sair dela como um anjo-bomba-exterminador. Mostra o ritual dessa mulher se revestindo da bomba. A fotógrafa é atraída para o que ela irá fazer. Depois é atingida, quase morre...

- Descobre-se que ela é fotógrafa famosa e de áreas de conflito pelo mundo. E aparece o outro conflito: o marido não aguenta mais esperar, sem saber se ela retornará, as filhas reclamam sua ausência. A experiência de quase morte e a pressão familiar faz ela rever e aceitar não ser mais fotógrafa de guerra... 

- A filha mais velha descobre o trabalho da mãe e pede para ir para um campo de refugiados que é atacado quando estão chegando. E, Rebecca novamente entra em crise com a família, com vários desdobramentos. 

No final, vai novamente para o mesmo local do início do filme e fotografa um menino bomba... 

- Rebecca é uma mulher dividida, dilacerada. Vive também para o trabalho que é uma arte e seu amor, com sua família.

- Três cenas são marcantes: o início com a mulher bomba; a cena da filha que dispara a câmara (parecendo tiros) e quer “matar” a mãe, mas depois se arrepende; a cena final. 

- Rebecca é fotógrafa porque há nela uma necessidade interna que se impõe... não faz por vantagem pessoal, mas acredita que a fotografia pode dar “voz” a tantas pessoas que não tem como pedir socorro, não tem como mostrar seu desespero...

- Rebecca é afetada pelo que vê, a violência, a dor, o horror a comovem e dilaceram seu coração...

- Em determinado momento a filha mais velha pergunta quando ela irá parar. O final do filme parece indicar que ela não tem mais forças para ver o horror. 

Que lições tirar desse filme para nós cristãos? 

- O filme pode ser uma denúncia do horror da guerra. Indica onde pode chegar a miséria humana. Os terroristas usam a religião para justificar a morte até de pessoas da própria comunidade, porque querem atingir os governos. Pode servir como apelo a nós, que fechamos os olhos a isso porque achamos que está bem longe.

- Rebecca não consegue não ser fotógrafa... Algo a chama a isso. É necessidade interna imperiosa, não consegue fugir. Podemos dizer que ela pode servir de metáfora para o ser cristão... Ela é consciente do seu lugar como mãe, mas não consegue ficar longe das populações arrasadas, dos "sem voz". 

-O cristão é também fotógrafo da existência, da vida cotidiana e revela a vida para o catequizando. Revela, sobretudo o que é o Reino de Deus, o que seria do mundo se o Amor imperasse. E denuncia através desses recortes da existência, aquilo que afasta o homem de Deus, aquilo que revela o cúmulo do desamor, a injustiça, o ódio...

- O olhar atrás da câmara é fundamental no caso da Rebecca. Para nós cristãos é fundamental o olhar para com cada ser humano que encontramos e, a exemplo de Jesus, deixar-se afetar pelo olhar, pela “cena” existencial de cada um.

- Quem foi “mordido” por essa fascinante missão, não consegue dela se desligar. Pode ser que Rebecca tenha que parar porque não irá aguentar tamanha degradação humana. Mas o cristão... Esse vai longe!

Precisamos ter “cristãos-Rebecca” em nosso grupo, que não desanimam, que sabem esperar em meio as demoras de Deus. Que estão disponíveis para os chamados de Deus... Gente que é destemida, que enfrenta, que tem coragem e que deixa-se mover por essa imposição interna que leva a ser anunciador da Vida Plena de que Jesus foi portador.

O filme me fez pensar nisso tudo. Um belo e comovente filme!

Lucimara Trevizan

Equipe do Centro Loyola