Um Filme

 

Diretores: Irmãos COEN

EUA/Inglaterra/França 2009

 

 

“Receba com simplicidade tudo o que lhe acontecer” - RASHI

Aconteceu algo realmente bonito: escreveram-me, perguntando por que eu não escrevera. Eu não tinha tido tempo ou não sabia como começar a fazê-lo.  E, vejam, eles escreveram o que lhes tinha ocorrido! FIQUEI muito FELIZ! Objetivo alcançado! Pois ele sempre foi o de que, a partir dos meus comentários-vivência, cada um ficasse mais ciente dos seus, e sensível à própria sensibilidade. Que bom! Por isso, vou deixar que a palavra, hoje, seja a de vocês mesmos (abaixo).   Apenas coloquei, acima, a frase do início do filme e, abaixo, uma breve passagem de quem é Rashi. E sugiro que observem: - a cena inicial ajuda a acompanhar todo o resto: perplexidade, simplicidade, aceitação; – cada personagem vale por si mesmo e encerra uma maneira de viver; - as diferentes culturas, o incômodo que geram entre si, e sua necessidade de sobreviver umas às outras (judaica, estadunidense, oriente); - não façam críticas à ação-reação das personagens, mas saboreiem o não-entender, que é o adentrar o mistério; – as muitas palavras em hebraico, sem tradução, já são o mistério que devemos observar e não desvendar.

 

Por quê você não escreveu sobre o filme; que você achou? Fomos ontem à noite. Achei ótimo, mas complicado, intrigante, mas revoltante. Você gosta, mas não gosta.Fiquei pensando o que teria a dizer. Para mim, ontem, pensei em que não adianta procurar respostas para as coisas, ou para certas coisas. Algumas coisas apenas são; podemos apenas aceitá-las, e fazer algo a respeito, seguindo em frente. Sem perguntar sempre o porquê ou tentar entender. Por quê por “um ponto”? Por quê não acaba? Que isso significa; que Deus quer me dizer? Nada. Siga em frente, apenas. É a vida. Um tornado que vem – mas passa. Enfim, ou você faz algo e-ou segue. Não pense demais, ou você ficará louco! Uma nova perspectiva (maconha; sexo)? Pode ser. Mas isso em si resolve, muda algo? O importante realmente é seguir, buscando um sentindo seu, próprio, no meio de tudo, de toda a loucura do dia a dia. E saber ser feliz hoje. E não esperar "ser feliz". Saber-se completo por aqui estar, e pronto. Realmente, Deus? Resposta? Não, ele não é uma fonte inesgotável de respostas. É o caminho, a verdade, a vida. A rotina, a serenidade, o não perder-se em devaneios até. Aquela coisa bem concreta, como disse o p.Adolfo. Mas não o óraculo de Delfos ou a fonte de respostas. Não há A resposta. Só é. E o resto, é o que fazemos - no mundo, na cabeça, sozinhos e juntos. Já disse Dave Mustaine: "the more seriously I took things, the harder the rules became". Saudações! Felipe

 

Sabe que acordei pensando no filme, e como a vida, de fato, nos propõe situações cuja compreensão da lei da causa e efeito parece não encontrar amparo no mundo em que vivemos, onde fazer o certo nem sempre significa estar longe de problemas, e o inesperado apimentando as relações e tornando-as ainda mais insólitas. O filme é muito bom. Fiquei pensando na cena do fim, do furacão, as pessoas como que anestesiadas, assistindo à vida como se dela não fizessem parte. Os seus “adorados” zumbis, Fê! E o problema do mundo para o moleque era a TV que não pegava os canais que queria. Bem satírico, mas muito real. Ana

Rashi Rabi Shlomo Yitzhaki. 4800-4865 judaico/ 1040-1105 era cristã.Era um gênio para fazer com que as mais complicadas coisas parecessem simples. Não considerou necessário aplicar à análise bíblica e talmúdica, senão de forma superficial, os instrumentos de pesquisa científica existentes, a filologia, a gramática e a história, mas compensou esta “falha” com uma concisão de pronunciamento, um tratamento ordenado e uma explanação simples. Onde Maimônides expressaria perplexidades ou tentaria a clarificação de um texto por especulação filosófica, Rashi enfrentava o problema de forma desconcertante, disposto a aceitar as palavras da Torá literalmente. Seus comentários sobre a Torá são, ao mesmo tempo, exemplo de modéstia. Ele admitia, mais de uma vez, ignorar a interpretação de uma passagem difícil.

 

Maria Tereza Moreira Rodrigues

Psicóloga, mora em Campinas e faz parte da equipe de espiritualidade inaciana

01.02.2013