Um Livro

Livro: É bom crer em Jesus

Autor: José Antonio Pagola

Editora Vozes

 

O livro procura rever a maneira como o cristianismo apresenta a felicidade. Para muitos é impossível conciliar a fé cristã com uma proposta de felicidade. Para isso, o autor começa já no primeiro capítulo, a partir da proposta das Bem-Aventuranças, a se perguntar o que é a Felicidade e o que significa dizer que a proposta de Jesus Cristo é a verdadeira felicidade. Depois irá se perguntar sobre o sentido do sofrimento, a necessidade da esperança, de rever o sentido da vida, a saúde e a velhice. 

Livro essencial para refazer as ideias e experiências equivocadas de felicidade e para refletir sobre o sentido do sofrimento a partir da perspectiva cristã.

Segue abaixo um esquema do primeiro capítulo: 

PAGOLA. José Antonio. É bom crer em Jesus. Petrópolis: Vozes, 2012.

Capítulo 1 – O Cristianismo diante da felicidade

  • As Bem-aventuranças são o projeto da vida cristã. Elas nos prometem o que mais o coração deseja: a felicidade.
  • O que é a felicidade? Em que ela realmente consiste? Como alcançá-la? Por quais caminhos?
  • Nós elaboramos nossas próprias bem-aventuranças: “felizes os que tem dinheiro, os que podem adquirir o último modelo, os que sempre triunfam, os aplaudidos, os que podem desfrutar da vida ao máximo, os amados...”. As bem-aventuranças do evangelho viram de “ponta cabeça” essa ideia de felicidade.
  • A presente reflexão quer “abrir os olhos” a fim de intuir por onde passa esse caminho evangélico. Podem as bem-aventuranças acrescentar algo a quem se sente infeliz ou desgraçado? Seria certo o cristão preocupar-se com a felicidade? O importante não é carregar a cruz?
  • É raro ouvir alguém pregar sobre a felicidade. Há tempos ela desapareceu do horizonte da teologia. A impressão que alguns cristão dão é a de que a fé angústia e aliena a vida e mata seu prazer de viver.
  • Um dos fracassos mais graves da Igreja talvez seja o de não saber apresentar o Deus cristão como amigo da felicidade do ser humano.

Todos buscamos felicidade 

  • Todos querem viver felizes. Cada manhã despertamos para a felicidade ou para a infelicidade.
  • Nós cristãos esquecemos que o Evangelho é uma resposta a esse desejo de felicidade que habita o nosso coração. As bem-aventuranças são anúncio de felicidade.
  • A cultura moderna nasceu da suspeita de que Deus é inimigo da felicidade. Os homens e mulheres de hoje continuarão a se afastar da fé enquanto não descobrirem que Deus só quer a nossa felicidade e a quer desde já. Deus é salvador, salvador de nossa felicidade desde já e para sempre. 

Mas o que é a felicidade? 

  • Confundimos felicidade com palavras que não sejam felicidade: ventura, fortuna, bem-estar...
  • A felicidade parece estar sempre ligada a ideia de estar algo em que falta, naquilo que ainda não possuímos. Mas, o que é que realmente nos falta?

É possível ser feliz? 

  • O que é que nos falta? Nada parece ser suficiente para sermos felizes. Somos insaciáveis, em constante busca... Por outro lado, corremos o risco de nos contentar com qualquer coisa.
  • Talvez não consigamos alcançar a felicidade porque já a temos. A felicidade está aí, em nós, na vida mesma, sem que eu me dê conta. Talvez, no mais profundo de minha vida, exista uma felicidade real, desconhecida, insuspeita, que me está fugindo porque ando ocupado demais com outras coisas que julgo importantes.
  • As bem-aventuranças anunciam que a felicidade é possível. O que me é exigido é acreditar. Crer em Jesus Cristo. A felicidade não é algo fabricado, mas presente de Deus. É possível acolhê-la.
  • Nas bem-aventuranças a felicidade não é produzida pelo esforço dos pobres, dos que choram... Não são eles que geram a felicidade. A felicidade acontece nestas pessoas porque elas têm Deus como Senhor de suas vidas. É presente de Deus.

A felicidade não depende do destino

  • Para muitos felicidade depende da sorte.
  • Na busca da felicidade queremos que o ambiente se adapte a nós.... e a nossos desejos.
  • As bem-aventuranças não fazem a felicidade depender de nenhum sucesso venturoso, nem de acontecimentos agradáveis que nos possam acontecer. A felicidade brota de Deus revelado e encarnado em Jesus Cristo.
  • Ou a felicidade é uma ilusão ou é um presente, plenitude de vida que nos chega como graça quando nos abrimos àquele que é a fonte de todo bem. Ou seja, a felicidade plena ou não existe ou temos que desfrutá-la como salvação de Deus, como felicidade outorgada, presenteada. 

A felicidade não consiste em bem-estar

  • É muito comum confundir felicidade com bem-estar, com possuir coisas.
  • Quando coloco minha felicidade nessas coisas, estou lhes dando um poder sobre mim; estou lhes entregando a chave da felicidade. Estou me esvaziando de liberdade. E, há pessoas que tem tudo e não são felizes.
  • A felicidade que as bem-aventuranças prometem não consiste numa estimulação emocional ou numa sensação agradável. O que Jesus anuncia é plenitude de vida.
  • A felicidade emerge de uma pessoa que vive aberta ao amor, à verdade e à justiça do próprio Deus. Essa felicidade poderá vir acompanhada de experiências mais ou menos prazerosas, mas sua força plenificante brota de Deus.
  • A pessoa aproxima-se da felicidade no aprendizado de libertar-se, do desapegar-se. E isto é decisivo: não possuir, não apropriar-se de nada nem de ninguém, não fazer-se escravo, não sujeitar nosso ser a qualquer coisa.
  • A verdadeira felicidade se deixa encontrar por aquelas pessoas que não se deixam aprisionar pelas coisas. As coisas não são a fonte dessa felicidade.

A felicidade não está no prazer

  • Muitos confundem felicidade e prazer. Hoje o prazer é aclamado como direito. Repetido em excesso o prazer pode tornar-se insuportável.
  • A felicidade anunciada nas bem-aventuranças é muito diferente do prazer. O prazer é experiência momentânea. As bem-aventuranças insistem que a felicidade é um estado, uma condição de vida: ter a Deus por senhor e Pai, gozar da sua misericórdia, sentir-se seus filhos.
  • O prazer se dá no tato, sabor, no sexo, na captação do belo... As bem-aventuranças falam de uma felicidade que se enraíza na própria pessoa, no fundo seu ser. Por mais intenso que possa ser, o prazer não alcança a raiz da pessoa, lugar exato onde acontece a felicidade.
  • A felicidade anunciada nas bem-aventuranças é plenitude que envolve a pessoa e opera nela transformação, libertação.
  • O prazer não é a felicidade, mas não é automaticamente seu inimigo. O mal é o estimulo alucinante ao prazer.
  • O prazer é destrutivo quando fecha o individuo em si mesmo. São engonosos.
  • Há “prazeres verdadeiros” que não inflamam o ego. Trata-se de prazeres que nos são doados de forma gratuita ao largo de cada dia: um amanhecer sereno, uma comida simples e saborosa, um encontro com um amigo, a leitura de um bom livro... O segredo é prestar atenção naquilo que nos é presenteado, aprender a desfrutar tudo o que é vida dentro e fora de nós, por menor que possa parecer. Aprender a olhar, a tocar, saborear a profundidade do encontro...

A felicidade não provém dos outros 

  • Estamos convencidos de que não somos felizes se ninguém nos ama, nos espera... Mas as pessoas podem ofertar felicidade, mas também nos tirá-la.
  • É um engano colocar a felicidade fora de si mesmo. Quando necessito do aplauso dos outros para ser feliz.. minha vida fica nas mãos dessas pessoas.
  • Intuímos que não podemos ser felizes estando na solidão. Mas, será que não haveria uma solidão última que ninguém pode preencher?
  • As bem-aventuranças proclamam que a verdadeira felicidade provém de Deus. Ele é o único que preenche nossa solidão última. Quando os outros nos deixam, Deus é a realidade que está sempre aí, afirmando nosso ser, sustentando nossa existência. A verdadeira comunhão que Deus proporciona ninguém pode oferecer.
  • Nosso erro está em colocar exclusividade na experiência com a pessoa amada. A pessoa que amamos não é a plenitude, pois pode nos enganar e ferir. Nosso amor e amizade são sempre tecidos de ambiguidades. A pessoa amada não é a fonte da felicidade absoluta, mas ela pode ser o lugar do encontro com o Absoluto.
  • Nas bem-aventuranças a verdadeira felicidade só é possível quando se busca fazer os outros felizes. Há mais felicidade em dar que em receber.
  • As bem-aventuranças nos convidam a buscar a felicidade não a partir do amor erótico, mas do amor ágape (gratuito).

A felicidade se vive na esperança 

  • A morte é a inimiga da felicidade (assim se pensa)....
  • A felicidade é possível desde agora, num mundo de ambiguidades, dores, sofrimentos, experiências negativas... Mas, as bem-aventuranças falam também de uma felicidade para um futuro próximo. Uma felicidade presente que alcançará a plenitude no futuro.
  • Buscar a felicidade significa saber busca-la já de maneira realista e sadia. Deus não se ausenta do sofrimento e da desgraça, mas também ali, na dor, Ele sempre busca o nosso bem e a nossa felicidade. Deus está sempre conosco, na felicidade para ajudar a potenciá-la e abri-la à sua plenitude, na infelicidade e no sofrimento para ajudar a eliminá-los ou a superá-los de maneira humana e digna.
  • Nós cristãos temos de aprender a viver de maneira mais explícita a conexão entre esta vida e a outra. A verdadeira felicidade da vida presente e a salvação definitiva da vida eterna não são duas realidades que não se comunicam entre si.

Resumo feito por Lucimara Trevizan