Sarah Bakewell
Objetiva, 2012
Não se engane, não estamos diante de mais um livro de auto-ajuda. Que nos ajudem a viver, que enriqueçam nossas vidas e que nos tornem mais humanos, tudo isto é o melhor destino dos livros e é o que se passa com as grandes obras, vivemos melhor quando as conhecemos. Mas os livros de auto-ajuda à nossa volta estão longe disso: ansiosos pela entrega das respostas, sequer chegam a perceber o que está em jogo. Desconhecedores da dor e da infinita diversidade da vida, é de pouco valor o que têm a ensinar. Mas este Como Viver não é nada disto. Ocupando-se de Montaigne, celebra, em mil ocasiões, a quota de alegria que nos cabe enquanto humanos. Se não podemos tudo, e não podemos mesmo, não faltam motivos e nem oportunidades para que levemos uma vida onde o contentamento tenha o seu lugar. Escritor no Renascimento, Montaigne sabe que está diante de uma aurora. Finda a Idade Média, é preciso navegar em direção a um continente propriamente humano. É essa a coragem de Montaigne, é a essa coragem que ele, sem cessar, nos convida. Aceite o convite.
Ricardo Fenati
01.06.2012
Pe. Delmar Cardoso (Org.)
Edições Loyola, 2012
O livro Jesuítas e Filosofias: perspectivas história e atitudes põe o leitor brasileiro em contato com o tema da importância do estudo da filosofia para os jesuítas.
Na sua primeira parte, o livro traz dois documentos escritos pela Equipe Jesuíta Latino-Americana de Filosofia, um grupo de jesuítas que trabalham com filosofia em diferentes países da América Latina. Nesta parte, explicita-se o porquê do estudo da filosofia numa instituição como a Companhia de Jesus, neste contexto de rápidas mudanças em que vivemos.
A segunda parte do livro traz um panorama da história da relação entre jesuítas e filosofias. Na terceira parte do livro, há um texto de João Mac Dowell sobre o sentido do estudo da filosofia no caminho formativo de um jovem jesuíta e um texto de Emilio Brito, filósofo cubano radicado em Lovaina, sobre a relação entre os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola e a modernidade.
Equipe do site
15.05.2012
O livro foi organizado por Delmar Cardoso sj, professor de filosofia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), é fruto de atividades da Faculdade Jesuíta, que completa 30 anos em Belo Horizonte em 2012.
Pensadores do Século XX, em 12 capítulos, apresenta importantes nomes da história das ideias pertencentes cronologicamente ao século XX: Martin Heidegger, Leo Strauss, Paulo Freire, Jürgen Habermas, Ludwig Wittgenstein, Hannah Arendt, Simone Weil, Maurice Blondel, Emmanuel Levinas, Edmund Husserl, Henri Bergson e Henrique de Lima Vaz. Os professores que o escreveram são especialistas nesses pensadores. Os textos tiveram sua origem no projeto Sexta Filosófica, que é uma atividade do programa de pós-graduação de filosofia da FAJE, que visa abrir a discussão filosófica para um público mais amplo.
Equipe do site
01.05.2012
Autor: Luiz Felipe Pondé
Editora Benvirá 2011
Livros que associem agudeza e simplicidade são, como sabemos, raros. Quando o assunto abordado é, frequentemente, vítima da hermenêutica do bandido e do mocinho, como costuma ser o caso da religião, um volume com estas características deve ser celebrado. É o caso do presente livro.
Depois de passar com rapidez, mas não sem acuidade, pela história da Igreja Católica, Pondé enumera os medos católicos ( é dele a expressão), quase sempre decorrentes da progressiva secularização de nossa sociedade. À exposição desse elenco de medos, segue-se a proposta romana do seu enfrentamento. Sem qualquer cerimônia, as origens das feridas são expostas: os avanços da ciência, o movimento gay, a emancipação feminina e, mesmo, as dificuldade criadas por movimentos internos à Igreja como a teologia da libertação ou a crítica associada à teologia liberal. E a mesma atenção é dedicada aos esforços de Roma para a cura da dose de sofrimento trazida por esta mesma modernidade. Dois méritos saltam à vista. Primeiro: modernidade e tradição católica são examinadas à luz de sua sensibilidade para com os dramas permanentemente associados à condição humana. Segundo: é ressaltado, ao longo do livro, o pertencimento do catolicismo a uma tradição intelectual construída à medida que a civilização ocidental se consolidava.
Ao ver o catolicismo também como um campo de idéias, Pondé indica uma direção mais conseqüente e rigorosa para o debate sobre a religião, distanciada, em igual medida, da ansiedade dos crentes ou das bravatas dos ateus.
Ricardo Fenati
15.04.2012
Autor: Leonardo Boff
Editora Vozes, 2011
Neste livro o autor tenta responder o que é o Cristianismo e lembra a resposta de um mártir diante da mesma pergunta feita por seu torturador:
“Um mistério de simplicidade. Deus nos amou tanto que se fez também um de nós. E nos amou até o fim, mesmo quando nos fizemos seus inimigos. Pois, o pregamos na cruz. Mas, por surpresa de todos, ressuscitou ao terceiro dia. E agora está aqui em nosso meio. De sua boca ouvimos e de sua vida aprendemos: quem tem o amor tem tudo, pois, o amor é o nome próprio de Deus. Por isso, devemos amar a todos, incondicionalmente, como te amo a ti que me torturas e me condenas à morte”.
Na primeira parte do livro o autor faz uma belíssima síntese da mensagem que o cristianismo anuncia a partir das novas descobertas das ciências em relação à origem do universo. É uma bela releitura das origens segundo a ciência e a fé.
Na outra parte do livro o autor narra a vida de Jesus Cristo, também a partir da exegese bíblica atual. Ressalta a centralidade da fé em Jesus Cristo.
O livro é um convite a contemplar a simplicidade da mensagem cristã.
Karla Bianca F. Ribeiro
30.03.2012
De Botton, Alain. Religião para Ateus.
Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011.
Numa época onde a controvérsia que opõe ateus (ou ateístas?) a crentes parece crescer, é mais do que oportuna a leitura de “Religião para ateus”. O paradoxo exemplificado pelo título prossegue ao longo da obra: o autor, um ateu confesso, lamenta que os opositores da religião, com sua aflição doutrinária, ignorem a sabedoria humana - demasiado humana – depositada na experiência religiosa. Mas que os crentes, por sua vez, não se afobem: os argumentos com os quais o valor humano da religião é defendido são inesperados e nada ortodoxos. É esse o mérito maior do livro: indicar a complexidade de um debate que excede, de muito, a forma que ele frequentemente assume entre nós.
Ricardo Fenati
15.03.2012
Walter Andrade Parreira
Mandamentos Editora, Belo Horizonte, 2011
O Livro é uma saborosa meditação sobre cada parte do Pai Nosso. É um convite a meditar cada palavra, a mergulhar no significado profundo de cada súplica do Pai Nosso.
“Que eu entenda sempre, também, Senhor, que tudo o que acontece tem um sentido e que eu seja capaz de aceitar o que preciso aceitar e de recusar o que devo recusar.... Que nosso coração não se deixe conduzir, meu Pai, pelas coisas da ira e, ao contrário, que ele seja sempre guiado pela docilidade, pela meiguice, pela brandura, pela ternura, pela candura, pela doçura. Que Vós planteis nele a simplicidade e a humildade, a mansidão, a serenidade e a paz...”
O livro traz uma surpresa que é um CD com a meditação do livro na voz de Dom Aloísio Vitral. Um convite a contemplar o Pai Nosso na vida.
Lucimara Trevizan
01.03.2012
Frei Betto, Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão
Rio de Janeiro, 2011, Editora Agir
Neste Livro o teólogo Frei Betto e o astrofísico Marcelo Gleiser conversam sobre a Fé e a Ciência, num diálogo mediado por Waldemar Falcão.
O livro escrito em forma de diálogos mantém uma linguagem leve e coloquial e nos aproxima dos interlocutores. Ao contrário do que se espera é difícil encontrar discordância ao longo do diálogo. Os argumentos são em geral complementares.
Marcelo Gleiser nos aproxima da ciência e de maneira simples nos faz ficar fascinados pelas descobertas atuais. Frei Betto mostra que fé e ciência não se opõe e que a fé precisa de conhecimento para se sustentar e destaca a importância da teologia. Ambos dizem que o fundamentalismo é a postura responsável por fazer o embate entre ciência e fé terminar em briga. “Nos precisamos baixar a bola, ter humildade; a falta de humildade leva ao fundamentalismo”, analisa Frei Betto.
Independente das convicções de cada um, em Conversa sobre a fé e a ciência, Frei Betto e Marcelo Gleiser, mostram que esses dois mundos podem, sim, dialogar. “Temos que desenvolver, por meio da ciência, a busca da verdade pelos caminhos da dúvida e a busca de Deus pelo caminho da tolerância”, pondera Frei Betto.
Marcelo Gleiser assim fala no último capítulo: “Aprendemos que somos feitos de poeira de estrelas, que estamos no cosmo e o universo está em nós. Para mim, essa união é profundamente espiritual e nos foi revelada pela ciência”.
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